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Música de Gilberto Gil inspira a ciclista Pirenopolina Raiza Goulão: 'Andar com fé eu vou'

28-07-2016

Olimpíadas Rio 2016 - Pirenópolis na Disputa com Raiza Goulão


Por: Jornal Estadão.
Por uma medalha, a cidade histórica de Pirenópolis, a 142 quilômetros de Goiânia, promove uma campanha de arrecadação até os Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020. A imagem da ciclista Raiza Goulão, uma jovem de 25 anos, que disputará a prova de mountain bike cross country na pista de Deodoro, nos Jogos do Rio, está em adesivos nos carros, restaurantes e hotéis. O Comitê Olímpico Brasileiro vai pagar as despesas da atleta, mas foi a venda de pulseiras com o slogan inspirado em música de Gilberto Gil “Andar com fé eu vou”, a R$ 10 cada, que ajudou a atleta a participar de competições para obter o índice olímpico que a garantiu nos Jogos. Em sua primeira presença em uma Olimpíada, ela pretende ficar entre as 15 primeiras.
Numa cidade de 20 mil habitantes que vive do turismo e da extração de pedras ornamentais, a atleta de 1,68 m, 56 quilos e o inconfundível jeito retraído e simpático de menina do interior, se tornou uma atração. A filha do Tatu - apelido do artesão Carlos Ronald - e da secretária Venuzia Goulão tem arrancado aplausos e gritos de incentivo quando passa de capacete e óculos em sua bicicleta pela ponte de madeira sobre o Rio das Almas e pelas ruelas de calçamento pé-de-moleque do centro. “Antes eram só os amigos que me incentivavam. Agora, com a vaga garantida na Olimpíada, me sinto abraçada pela cidade.”

Às vésperas da Olimpíada, a atleta intensificou os treinos sem descuidar dos posts no Facebook e no Twitter. São duas a três horas de bike todas as manhãs em trilhas que ela mesmo ajudou a fazer com pás e enxadas em terrenos pedregosos do cerrado, próximos de cachoeiras. À tarde, ela faz fisioterapia e academia. Os treinos são solitários e puxados. O roteiro inclui ainda dez subidas e dez descidas de uma ladeira da GO-225, uma estrada movimentada e sem acostamento que liga Pirenópolis a Corumbá de Goiás. Um crucifixo foi amarrado na base do assento da bicicleta. “Muitas vezes você chama um amigo para treinar, mas é chato, tem de repetir muito e o pessoal desiste”, relata.
O isolamento de Pirenópolis dos grandes centros de competições não impede Raiza de ter uma estrutura de treinamento de uma atleta de elite. Por e-mail, Skype e WhatsApp, ela discute treinos e recebe lições diárias do treinador Tjeerd de Vries e do técnico Leo van Zeeland, que vivem na Holanda. A ciclista participa de competições pelo País como atleta da equipe Specialized Racing BR, chefiada por Flávio Magtaz e formada por mais outros três ciclistas e um mecânico. Raiza planeja uma temporada no próximo ano na Europa, mas sabe que terá a desvantagem de enfrentar o inverno rigoroso. “Aqui, com o clima quente, eu posso treinar o ano inteiro sem dificuldades.
A vantagem de morar em Pirenópolis é esta calmaria e a paz, além do percurso. A cidade está entre montanhas, há muitas trilhas, une o útil e o agradável. Diferentemente do que ocorre na cidade grande, não preciso colocar a bicicleta no carro e buscar um local para treinar. Quando saio do portão de casa já estou em treinamento”, avalia. “Ao mesmo tempo, estou distante da publicidade. Mas as redes sociais ajudam muito”, afirma Raiza, no Twitter “@raizamtb”.
Em maio, numa etapa da copa do mundo de mountain bike em La Bresse, na França, Raiza conseguiu o 17º melhor tempo. “Nessa minha primeira participação em Olimpíadas, vou buscar o TOP-15. Será uma grande experiência para conseguir medalha em 2020”, planeja. Ela já experimentou, num evento teste, a pista de 5 quilômetros que competirá em Deodoro no próximo mês e conheceu os trechos com rock garden, conjunto de pedras de diversos tamanhos para dificultar a passagem. “Aqui, em Pirenópolis, os obstáculos de pedra sempre são naturais.”

Formada em administração de empresas, Raiza trabalhava em um café do centro da cidade goiana. Em 2010, largou o emprego para se dedicar ao ciclismo, um esporte praticado na região por turistas. Hoje, vive exclusivamente do sonho olímpico. O que não é fácil. O patrocínio se limita a poucas empresas do setor de bicicletas. “Na busca da vaga olímpica, eu fiz a campanha ‘Andar com fé eu vou’ na internet e nas ruas. Muita gente começou a replicar. Produzimos 2.500 pulseiras, 500 meias de ciclista e 70 mil adesivos para colar nos vidros dos carros”, lembra. Nos finais de semana, Tatu vai para os restaurantes distribuir os adesivos nas filas de refeições. Os turistas ajudam a espalhar a campanha Brasil afora. Com a vaga na Olimpíada conquistada, o projeto de arrecadação transformou-se em torcida. Raiza está focada, mas não deixa de reconhecer que a estadia no Rio era algo impensável antes de se entregar ao mountain bike. “Por morar numa cidade pequena, sem incentivo para o esporte, chegar até as Olimpíadas é muito motivador”, disse.

Foto: Thiago Lemos